Essa poesia foi publicada no livro Meu Poeta - Segunda Coletânea da UEM, em 1987, quando era acadêmica de farmácia. A poesia mesmo acho que escrevi por volta de 1984. Faz tanto tempo que nem lembro mais.
Imagino minha pele, meu corpo, sentindo os pingos da chuva,
a princípio leves e depois grossos, que tocam e machucam.
A água cai das nuvens em torrentes e me molha e me encharca.
Misturam-se as lágrimas da natureza as minhas lágrimas.
Meu peito arfa, a respiração é rápida e meu corpo se torna tenso e frio.
Me seguro, me controlo.
E então, como relâmpagos e trovões, meu rosto se contrai e
minha boca emite um grito,
que corta a chuva, que risca o céu.
E recebo em meu rosto, os pingos da chuva e bebo minhas lágrimas
e me entrego a esse sentimento que me entristece.
E junto a violência do tempo, vibra meu corpo em intensidade infinita.
Me solto, me machucando.
Enfrento os céus e junto com eles me desespero.
E então, como se juntos decidíssemos que era hora de parar,
cessam as lágrimas, cessam as águas.
Molhada, me solto e caio cheirando a terra encharcada e fico
sentindo o vento e o frio da terra, o frio do corpo e dos meus sentimentos,
sentindo-me vazia e estranhamente em paz.